N.º 2
MAIO 2005

CARTAS À CONFLUÊNCIAS
ÍNDICE
 
   


   
Enviar correspondência para: cartas@confluencias.net
 

Com muito agrado, li na vossa revista o artigo «Traduzindo Fitness na Teoria da Complexidade», de Maria João B. Reis, ao qual fui conduzida por uma pesquisa no Google sobre teoria da complexidade.

A minha curiosidade advém de me encontrar a trabalhar sobre o conceito de competências e ter percebido em alguns artigos que havia uma relação entre este conceito e a teoria da complexidade. De certa maneira, ler este artigo ajudou-me a ir mais longe, ao encontro da raiz do problema, podendo assim entender o que muitos autores referiam quanto à polissemia do termo «competência». De facto, pude perceber que o conceito de competência está também associado aos estudos da teoria computacional, tornando ainda mais interessante a aplicabilidade do termo à educação e formação.

Permita-me ainda fazer uma nota sobre a necessidade de haver em Portugal traduções de artigos especializados na área da educação, fazendo aqui apelo à minha área de especialização, a avaliação educacional. Recorro com regularidade a revistas online e a pedidos de livros vindos de outros países. No entanto, sei de muitos colegas que, não dominando uma língua estrangeira, não investem nos estudos especializados.

 


A preocupação que começa a sentir-se em Portugal com a avaliação das escolas, professores e alunos, a avaliação dos projectos curriculares, dos programas e materiais curriculares, exige que sejam conhecidos os resultados de estudos realizados nos países onde a avaliação tem já uma longa tradição. Tem, assim, todo o sentido, que traduções de artigos ou mesmo de revistas da especialidade sobre esta área contribuam para o conhecimento de modelos e práticas de avaliação, ajudando aqueles que, por falhas próprias ou outras, têm dificuldades no domínio de uma língua estrangeira.

Reconheço a importância de dominar uma língua estrangeira, mas também reconheço que facilitar o conhecimento e a informação é igualmente fundamental no contexto sócio-económico actual; um contexto que privilegia o desenvolvimento de competências e, como alguns autores referem, da economia do saber.

Esta é uma pequena nota de preocupação de quem, estando mais desperta, se apercebe das dificuldades de bons professores que, com mais acessibilidade ao conhecimento, poderiam melhorar as práticas avaliativas, contribuindo para a inovação e mudança da educação no nosso país.

Alda Ribeiro
Educadora de Infância, Licenciada em Ciências da Educação e Mestranda em Avaliação das Aprendizagens no Ensino Superior