N.º 2
MAIO 2005

RELATÓRIOS DE EVENTOS E ACTIVIDADES
ÍNDICE
 
   


  Conferência «A Tradução e a Revisão Científicas: Dificuldades e Compensações»

Isabel Nogueira
Pós-Graduanda em Tradução e Tradutora, Portugal
 
 

No dia 12 de Maio de 2005, pelas 16 horas, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) acolheu a Dr.ª Lília Esteves. Bióloga de profissão, a conferencista trabalha no Departamento de Estudo de Materiais do Instituto Português de Conservação e Restauro e efectuou várias traduções no campo da biologia, como por exemplo o livro Insectos (1).

A Dr.ª Lília Esteves apontou os diversos problemas da tradução em biologia, sobretudo no que diz respeito à terminologia relacionada com insectos, plantas, aves e répteis. O maior problema será o da inexistência de dicionários terminológicos portugueses, especializados nestas áreas. Por este motivo, os tradutores têm de recorrer frequentemente à etimologia da palavra, só chegando à tradução adequada, não raras vezes, depois de reconhecerem o animal ou a planta em questão através de uma descrição ou de uma ilustração.

Indicou também outros problemas. O facto de, em português, não ser frequente dar-se nomes vulgares aos insectos, como acontece em castelhano e inglês, o que obriga os tradutores a efectuarem uma pesquisa bastante complexa. A possibilidade de não existir o nome correspondente em português. Ou a hipótese de diferentes grupos de profissionais utilizarem termos divergentes para o mesmo animal, por exemplo, os especialistas dizem «dinossáurio»e a imprensa «dinossauro».

Num tom ligeiro e descontraído, a Dr.ª Lília Esteves fez uma exposição entusiasmante e pertinente. Como sabemos, estes eventos são raros e a curiosidade por assuntos pouco debatidos é muita. Nesse sentido, e através dos muitos exemplos práticos em que baseou toda a conferência, a bióloga elaborou uma exposição muito interessante e, acima de tudo, satisfez a curiosidade dos estudantes presentes, tendo mesmo respondido a questões (por vezes indiscretas) de teor prático acerca do mercado de trabalho.

No entanto, alguns problemas organizacionais acabaram por diminuir o potencial da exposição. A conferência não foi suficientemente divulgada, nem sequer dentro do espaço da universidade, e nem todos os presentes tiveram acesso à documentação sobre a conferência (fotocópias de algumas traduções da Dr.ª Lília Esteves, que introduziriam o tema a tratar), impedindo que a totalidade dos participantes aproveitasse plenamente esta oportunidade.

Estas acções são louváveis e serão sempre bem vindas por dois motivos: porque, apesar da realidade profissional e do exemplo do ensino e aprendizagem da tradução noutros países, em Portugal continua-se a publicar e a falar maioritariamente sobre tradução literária; e porque a bibliografia portuguesa relacionada com a biologia da fauna e flora é praticamente inexistente.

Limadas algumas arestas, espera-se que este género de evento se volte a repetir, uma vez que é essencial informar os estudantes de tradução e todos os restantes interessados acerca das verdadeiras necessidades do mercado de trabalho, e incentivá-los a investigarem e escolherem um ramo da tradução especializada.

 

Pamela Forey e Cecilia Fitzsimons, Insectos, Colecção Guias da Natureza, Plátano Editora: 1996.