N.º 2
MAIO 20045

GLOSSÁRIOS
ÍNDICE
 
   


 

A Luta Greco-Romana na Lingüística Biomédica: Tendências Atuais no Cenário Brasileiro 

(1.» parte)


Jacques Vissoky
Médico e Tradutor, Brasil
 

Resumo: A ciência da tradução médica tem suas armadilhas; além de demandar o conhecimento específico da área, também exige o equilíbrio entre o vernáculo consensual e consagrado e a terminologia científica mais atual. Como a ciência médica está sempre em evolução, é natural que as palavras que a representam também sofram o mesmo processo. Este glossário destina-se a demonstrar algumas palavras que, com freqüência durante o processo de tradução e versão, causam dúvidas quanto à pronúncia, silabação e soletração.

Palavras-Chave: Tradução médica; Terminologia científica;

Abstract: Medical translation has many traps; besides requiring specific subject knowledge, it also calls for a balance between the consensual, consecrated vernacular word, and the most updated scientific terminology. The same process applies to words representing ever-changing medical science. This glossary aims at demonstrating some words that often cause doubts as to pronunciation, syllabification, and spelling during translation and version processes.

Keywords: Medical translation; Scientific terminology

 


Amilase, Lipase, Transaminases

O sufixo —ase, de origem grega é usado para identificar enzimas. A palavra grega diástasis, separação, foi utilizada por Kirschoff em 1814 na designação de uma substância que desdobrava o amido na cevada. A diástase, que inicialmente foi descrita por este autor, passou a se chamar amilase, indicando o substrato pelo qual atua a enzima. As enzimas posteriormente descobertas receberam o sufixo —ase para indicar a sua condição. Assim, por ter um modelo original proparoxítono, diversos profissionais e educadores têm tornado as enzimas também proparoxítonas. Cabe lembrar, contudo, que tais termos inexistiam em grego e em latim, tendo sido criados apenas a partir do século XIX nas línguas ocidentais. Por conseguinte, não há razão para se pronunciar como proparoxítonas as enzimas. Ademais, vale lembrar que a língua portuguesa apresenta uma tendência para a tonicidade na penúltima sílaba. Descabe, portanto, o uso anacrônico das enzimas como proparoxítonas, em oposição a sua medida em equipamentos bioquímicos modernos.

Cãibra, Câimbra

Ambos termos coexistem na língua portuguesa. Segundo A. G. Cunha, no seu Dicionário Etimológico (1988), a palavra no nosso idioma formou-se a partir do francês crampe. Para definir-se qual o melhor, devemos lembrar que o til em português colocado sobre a vogal indica a sua nasalização. A marca de nasalização pode, igualmente, ocorrer pela vizinhança de n ou m. Assim, a forma cãibra responde melhor à demanda fonética e de clareza.

Cintilografia, Cintilograma

Correspondem a uma forma gemelar para o mesmo termo. Cintilografia origina-se de scintilla, «centelha», e do grego graphein, «registrar». Os termos scan e scanner são utilizados na língua inglesa e também em outros idiomas. Apesar da difusão universal pela informática, assumindo-se a introdução de alguns anglicismos, é difícil que se defenda o uso da horrorosa palavra «escâner».

Colo, Cólon

Ambas formas referem-se ao intestino grosso. A Nômina Anatômica corrente favorece o uso de colo tanto para designar a porção estreitada de um órgão (exemplo, «colo do útero») quanto para o intestino grosso.

Diabetes, Diabete

A forma diabetes é usada em outros idiomas, particularmente no inglês, que forte influência exerce entre nós. O termo é de origem masculina no grego e no latim, tendo continuado com o mesmo gênero no português. A Sociedade Brasileira de Diabetes, que mantém a palavra masculina e com —s, foi fundada em 1970.

Exfoliar, Esfoliar

Ambas as palavras derivam do latim, embora tendo o prefixo grego ex—. Por tratar-se de palavra usada predominantemente na área médica, prevalece a noção erudita, expressa pelo prefixo ex—, para fora, precedendo a derivação verbal de folium, lâmina.

Lesão, Injúria

A palavra inglesa injury significa «dano físico», «ferimento», «lesão». A palavra portuguesa injúria é, em geral, usada com significado de «ofensa à dignidade de alguém».

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Código Penal
, São Paulo: Ed. Saraiva, 198523.

Comissão Luso-Brasileira de Nomenclatura Morfológica: Nomenclatura Anatômica da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1977.

Cunha, Antônio Geraldo da, Dicionário Etimológico. Rio de Janeiro; Nova Fronteira, 1982.

Manuila, A., L. Manuila, M. Nicole e H. Lambert. Dictionnaire français de médecine et de biologie. Paris: Masson & Cie., 1970.

Sociedade Brasileira de Diabetes. Consultado em Abril de 2004. Disponível em «http://www.diabetes.org.br».